O Silêncio dos Bons e A Contaminação do Mal

O que me preocupa
não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.
Martin Luther King
Martin Luther King foi pastor, ativista e líder do movimento dos direitos civis nos EUA.
King recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1964 por seu engajamento no combate ao Racismo Norte Americano.
Hoje, o legado de Martin Luther King é inestimável não só para americanos, mas para todo o mundo, mas não foi sempre assim.
Durante o tempo em que militava e defendia sua causa, o FBI - que é o Departamento de Investigação Federal da Polícia dos EUA, investigou King por supostas coligações comunistas devido ao seu posicionamento político em favor dos pobres, e há registros inclusive de ameaças anônimas que ele recebia.
Até que em abril de 1968, King foi assassinado por um homem de bem, que o considerava traidor, porque movia as pessoas em suas marchas para parar e enfraquecer o país política e economicamente.
O mundo gira, e voltamos frequentemente a lugares parecidos, e o pior: sem ter aprendido com as experiências de sofrimento que vivemos e presenciamos.
Já poderíamos ter aprendido que mal e bem não tem nome, não tem religião, não
tem cor, roupa, ou gênero; mal e bem são como sementes, e sua fecundação vai
depender da dispersão, do ambiente, das condições para que germinem e se
desenvolvam. Até que sejam reconhecidas por seus frutos.
Se nos calarmos diante desses frutos, da falta de lucidez, do
fanatismo, da discriminação, da desigualdade social e da intimidação pelo medo
e pela violência, estaremos favorecendo as condições para o mal se alastrar e
se fortalecer.
O silêncio dos bons não se revela exclusivamente em ações pontuais como, por
exemplo, estar presente em passeatas, mas fundamentalmente no omitir-se e até
no dividir forças quando o mal é iminente.
A política deve ter sim representatividade, e os valores democráticos precisam ser praticados, mas o caminho da espiritualidade é individual no entendimento, e coletivo no amor, na comunhão e no respeito. Não existe supremacia religiosa capaz de governar em nome de Deus. Deus é insondável.
Se for diferente disso, estaremos lavando as mãos para o domínio do mal, mesmo que em nome de um deus.
