Sabe aquela borda do copo? Então...

Uma crise emocional geralmente é fruto de um desgaste psicológico decorrente de fatores diversos. É algo que vai se instalando aos poucos, quando o sofrimento é intenso, e ultrapassa a capacidade do indivíduo de lidar com a situação.
Todo mundo tem limites. Todos somos algum tipo de reservatório, de formatos e tamanhos variados. Alguns possuem recursos que funcionam como sistema de drenagem, manutenção e monitoramento… Já outros, não.
Enquanto o volume e a pressão estão sendo contidos, o reservatório e o ambiente parecem sob controle, seco, seguro e confortável.
Aqueles que não têm válvula de escape, ou algum mecanismo de alívio, quando transbordam, nos assustam. Por algum motivo, não foi possível conter as tensões, e impedir a inundação. Essa é a hora em que um surto ou outro costuma ser inevitável.
Imagine um copo cheio. Agora, imagine um balde cheio. Mais um pouco: imagine uma caixa d'água… Qual deles, se passar do limite, vai causar maior dano?
A habilidade de conter a pressão não deve ser admirada. Se não houver um sistema de escoamento, a estrutura não é considerada confiável nem mesmo na engenharia, quanto mais na vida! Um mecanismo de escape ou um recurso estratégico para liberação é essencial, tanto na construção de edifícios quanto para a saúde mental.
Emoções são como muitas águas… Ilusão pensar que a gente consegue estocar e controlar a intensidade da correnteza. Na pior das hipóteses, a gente vai criando desvios que desembocam num mesmo lugar, somatizando, até que a mente adoece, comprometendo todas as funções.
Um surto geralmente é o alarme da represa soando.
Experiências estressantes podem ter efeitos drásticos em nossa saúde. Na verdade, não ter uma rede de apoio social forte é um fator de risco de morte tão grande quanto cigarros e álcool em excesso, não praticar atividade física, ou viver numa cidade poluída
(CROSS, Ethan, in "A VOZ NA SUA CABEÇA")
